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O “Direito de Ler” Um conto de ficção fantástico (5 minutos de leitura) http://psfl.in/78
A dica veio desse texto (http://psfl.in/79) no blogue Revolução E-book.
O conto é de 1997, mas várias das previsões pessimistas do conto já estão se realizando hoje. Só pra citar uma: Nos…
Sérgio, gosto do autor e achei o texto bem interessante, mas acredito num mundo intermediário entre nosso passado analógico e o “futuro negro” pintado por muitos, inclusive por este autor.
Vamos por partes.
Desde que passei a entender um pouco sobre o mundo, percebi que as pessoas sempre fizeram cópias ilegais de músicas, textos e tudo mais que fosse possível. Alguns por falta de dinheiro, outros por falta de caráter mesmo. Ou seja, a Internet e a digitalização de conteúdo só facilitaram e aperfeiçoaram esse processo.
O empréstimo de conteúdo é também uma prática comum há muitos anos. Pessoas emprestavam discos de vinil, fitas do Atari e mais adiante os seus CDs. Podemos também voltar um pouco mais no tempo e descobrir que antes do Atari, pessoas também emprestavam conteúdo.
No caso das bibliotecas, alguém pagou pelos livros, muito provavelmente o governo. Não digo pagar no sentido de comprar, apesar de ter certeza de que em alguns países é preciso sim comprar os livros para as bibliotecas públicas. O “pagar” está implícito nos funcionários da biblioteca, na limpeza, na conservação dos livros, etc. Também não questiono isso. Pagamos impostos por algum motivo, imagino eu na minha ignorância democrática.
Onde quero chegar? Exatamente no meio termo.
Ontem o Alexandre Costa me indicou esse vídeo de uma entrevista com Bram Cohen, fundador do BitTorrent. Detestei a postura do entrevistador Andrew Keen, mas isso é outro assuntos. Vamos seguir aqui a linha do meu raciocínio.
O Bram (perdão pela intimidade. Risos), alega que o conteúdo tem que ser distribuído gratuitamente a maior parte do tempo e que uma banda, por exemplo, divulgando seu trabalho gratuitamente, poderá ganhar dinheiro nos shows. Ótimo, muita gente no Norte do Brasil já fazia isso mesmo sem o BitTorrent.
Eu faço isso! Gravo dois podcasts gratuitamente e tenho inúmeros textos gratuitos publicados no meu blog e na web em diversos lugares. E agora lancei um livro (melhor dizendo eBook) que espero, honestamente, que seja vendido e não doado ou pirateado.
Antes mesmo do eBook, disponibilizei muito conteúdo gratuito sobre o mesmo tema. Um episódio do meu podcast, alguns artigos pela Web e várias fotos no Flickr. É uma espécie de biblioteca pública específica deste livro. Quem não quer ou não pode comprar terá também acesso a informação.
Além disso, tanto a Amazon quanto a Barnes and Noble contam com sistemas de “empréstimos” de livros eletrônicos. O meu não está ainda neste sistema, mas pretendo fazer isso assim que entender melhor o processo. Tudo bem, as pessoas precisam ter um leitor de eBooks para isso, mas o mundo sempre exclui por natureza. Mesmo uma biblioteca pública tem cópias limitadas de livros ou pode estar tão distante fisicamente de um leitor que não lhe servirá de nada.
E seguindo essa linha de pensamento, acredito no conteúdo se espalhando ainda mais via livros digitais. O Projeto Gutenberg e iniciativas similares permitem que pessoas leiam todos os clássicos da literatura em seus celulares. Essa é a maior democratização de conteúdo da história da humanidade! Pense nisso! Em breve todos os clássicos do mundo estarão a disposição de todos que tenham o celular. Digo em breve e digo todos, pois também acredito que os smartphones se tornarão onipresentes como um dia aconteceu com o celular que mandava mensagens, com o celular de tela colorida, com o celular que tira fotos, e assim por diante.
Hoje o conteúdo já está disponível, mas é preciso ter um computador ou tablet para ler. Um dia estará nas mãos de quase todos como já acontece com a Wikipédia em vários países mais carentes do mundo, sendo mais consultada via telefone celular que via computador.
Mas só agora chego ao destino do meu argumento. O conteúdo (ou parte dele) precisa sim ser remunerado e acredito que o fácil e barato é o concorrente do pirata. A loja iTunes é o maior exemplo disso. Não acabou com a pirataria de música, mas mesmo concorrendo com o BitTorrent e similares, as vendas crescem todo ano. É fácil e barato. E lembro que o rádio, com músicas gratuitas ainda existe e compartilha conteúdo com quem não pode ou não quer pagar. E mais que isso, o rádio é hoje parte de quase todos os celulares vendidos no mundo como serão os textos clássicos no futuro próximo.
Portanto, acredito sim que o mercado irá se regular num meio termo entre o “futuro negro” e o passado analógico. E estou fazendo minha parte!
